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25 de maio de 2015

Faça e ponto final

Por André de Castro



Quem disse foi o escritor Ernest Hemingway: "Se você obtém sucesso, é sempre pelas razões erradas. Se você se torna popular, é sempre pelos piores aspectos de seu trabalho".

E tenho notado uma certa tendência em se atenuar os pontos positivos e maximizar as falhas nas pessoas, em todos os aspectos de convivência, nas diversas esferas de relacionamentos. Nós estamos sempre querendo rebaixar uns as outros. Se o vizinho aparece com um carro novo todos já comentam que está roubando, se apresenta uma ideia nova na empresa a o profissional é retaliado, se abre a boca na sala de aula logo alguém solta uma piadinha. Resultado; as pessoas ficam desmotivadas, perdem o gosto por produzir e muita gente acaba caindo até em depressão.

Tem razão o escritor quando lança luz ao fato do exito ser visto com desconfiança, sucesso como algo pejorativo, ganhar dinheiro como crime. De fato a felicidade alheia incomoda.

Incomoda os medíocres.

Diante de tal cenário somos obrigados a repensar nossas formas de convivência. É preciso expandir os horizontes, crescer cognitivamente. Os mesquinhos precisão saber que o tempo gasto invejando e sabotando a felicidade do outro é um tempo que se perde, deixando de construir seu próprio sucesso.

E os bons precisam saber: por mais que se tenha as melhores intenções em determinada ação, pode ser que alguém a interprete mal. É preciso saber lidar com isso. Se você sabe que está fazendo o certo e isso é o melhor que pode, então faça. E ponto final. 

Certo ou errado, sempre vão procurar formas pra lhe criticar, desmotivar. Farão força pra te lembrar das vezes que você fracassou tentando. E vão tentar procurar desvalorizar suas vitórias. Isso jamais pode ser motivo para que se desista de seus objetivos e sonhos, mas acima de tudo é preciso ter objetivos e sonhos.

Faça e ponto!

Vá em frente. Só as pessoas que tentam conseguem. Faça.

30 de janeiro de 2014

O Grande Mestre

Por André de Castro

O Grande Mestre Deo é uma das figuras mais importantes do Jiu Jitsu em todo o mundo. Ele usa a faixa vermelha de nono grau, o topo máximo do Jiu Jitsu.


Foto Emerson Damaceno
Mestre Deo exibe os títulos de uma vida de vitórias
Descendente de Portugueses, de família humilde, vieram para o Brasil em busca de condições melhores de vida e se  Instalaram em Jacaré Paguá, na Vila Ronqueiros, no subúrbio do Rio de Janeiro. Lembra-se do tempo em que os garotos brincavam na rua, de pés descalços. As brincadeiras, geralmente, acabavam em brigas. O garoto Deoclécio, hoje chamado de Grande Mestre Deo, soube de um rapaz em Bento Ribeiro “que ensinava a brigar”. Quando chegou na academia do Mestre Oswald Fadda ficou sabendo que não se tratava exatamente de briga e sim de Jiu Jitsu.


Quando o garoto Deo recebeu o convite de Fadda para treinar não tinha dinheiro para comprar um quimono. Fadda Pediu ao garoto que retornasse no dia seguinte com alguns sacos de farinha de trigo. Depois da aula os dois foram para os fundos da academia e ali o Mestre Fadda costurou à mão o primeiro quimono do Grande Mestre Deo.

Fadda foi aluno de Luiz França, um fuzileiro Naval que havia tido aulas com o Cond Coma, o japonês que ensinou a Carlos Gracie as técnicas do Jiu Jitsu. Na mesma época em que Carlos Gracie e Helio Gracie disseminavam a arte entre a classe alta, na Avenida Rio Branco do Rio de Janeiro, Fadda ensinava Jiu Jitsu aos garotos em sua academia no subúrbio. Foi Fadda, por meio de Deo, quem implantou o Jiu Jitsu no Exército Brasileiro.

O Grande Duelo entre os Fadda e os Gracie em 1954 ocorreu quando Deo havia acabado de se alistar nas fileiras do Exército. Estava em quarentena no dia da competição onde os Fadda levaram vantagem sobre os que eram considerados invencíveis. Hélio Gracie, ao ver sua equipe em desvantagem, declarou em tom de fúria: “Enquanto existir um Fadda o Jiu Jitsu não é um privilégio dos Gracie”. A frase foi repercutida pela mídia da época e fez com que a equipe de Fadda passasse a ter valor no esporte.


Grande Mestre Deo a frente de alguns de seus alunos em sua academia na Casa do Ceará, Asa Norte de Brasília
O Grande Mestre Deo conheceu sua esposa quando ela foi matricular o irmão em sua academia. Está casado há 50 anos com a mesma mulher. Tem dois filhos, ambos não seguiram os passos do pai no Jiu Jitsu. Vai ao Hospital das Forças Armadas fazer sua ginástica de conservação quase todos os dias. Para ele cuidar do corpo e algo muito importante. Nunca fumou ou bebeu durante toda a vida. Não tem problemas de saúde e afirma que a adequada alimentação e a prática de esportes foi o grande diferencial para ter uma boa saúde na velhice.


O Grande Mestre Deo continua a dar aulas de Jiu Jitsu em sua academia, localizada na Casa do Ceará, na Asa Norte de Brasília. Chegou à capital do Brasil em 1979. Em setembro de 2013 completa oitenta anos. Passou metade deles no serviço militar. Entre outras unidades, teve a oportunidade de servir na Embaixada do Chile. Aposentou-se em 1990 sob a graduação de Major do Exército. Durante esse tempo montou várias academias, colecionou vários títulos. Mas de um dos troféus ele se orgulha: o de sua ultima luta ocorrida na Praça Seca, no Rio de Janeiro, onde o Grande Mestre Deo finalizou o adversário com uma chave de pé.

22 de agosto de 2013

Vendidos calados

Por André de Castro


Certa vez o escritor americano Bukowski anotou que todas as pessoas depois dos trinta acabam se vendendo ao sistema. E afirmou que sente vergonha dos que tem menos de trinta, pois um dia eles também vão se vender.

Sabe-se lá o porquê, mas de repente eu me calei. Eu continuava a ver as coisas acontecerem de um ângulo privilegiado. Eu via garotos imundos dormindo na calçada da meia noite. Homens entrando em decadência pelo efeito da entorpecência. Engravatados matando milhares, indiretamente, por desviarem as verbas da saúde, da educação. Madames se ostentando do luxo e da falta de dignidade. Homens se espancando na rua. Adolescentes engravidando de velhos pederastas. Crianças, mães de outras crianças.

Eu me calei diante do mundo. Será que eu também me vendi?


E os jovens acreditavam que iriam mudar um país pelo fato de terem subido a rampa do poder. Eles não sabiam, eu não sabia. Seria tudo em vão. A memória é fraca, tudo se torna esquecimento. Um câncer não se cura com gritos. Mas os gritos servem pra mostrar que esse mal nos causa dor. Uma dor que é de todos nós.

30 de julho de 2013

Os dedos da mão

Por André de Castro

Eu tinha vinte e poucos anos e agora tenho vinte e tantos. A cada dia que passa o tempo me exprime em direção ao desconhecido.
E as pessoas que eu conhecia estavam a cada dia pior. E os que já estavam na pior agora estão pior ainda, ou mortos.
Eles geralmente passavam o dia todo trabalhando, estudavam durante a noite por meio de um financiamento do governo que se converteria em uma dívida que os deixaria a pensar que pertenciam a uma nova classe. Na verdade eles estavam sendo moldados para protagonizarem na transvestida escravidão moderna.
Dentes careados, olhos com pé de galinha, olheiras, cicatrizes, almas despenadas, feridas que nunca se fecham.
Havia sobrado alguns poucos caras com sorte, tinham grana, belas mulheres, carrões. Mas bastava os conhecer de perto para perceber que estavam fudidos.
Os padres rezavam todos os dias, as mães rezavam todos os dias, os seguidores rezavam, os fieis e pastores, todos eles se ajoelhavam e aceitavam as coisas. Agradeciam por elas, tinham esperança que iria melhorar. Só eu não rezava. Eu não acreditava que mudaria ou que um dia seria melhor. Eu simplesmente aceitava por não ter coragem de tomar a decisão certa.

Geralmente a decisão certa é a coisa mais difícil de se fazer. Você sabe que deve fazer, mas não faz.

23 de maio de 2013

Tortura

Como se não bastasse a vida te derruba. Uma, duas, três, mil vezes. E quando você está caído lhe chuta, cospe na sua cara, arranca suas unhas, lhe coloca no choque elétrico, lhe faz sentir um fracassado. Ela é covarde. E se você realmente é fraco, aceita tudo sem resistir. Veste a máscara do derrotado. Mas você não desiste. Você é forte. Você chora, esperneia, grita, mas não desiste. Você leva tanto soco e tanto tapa e ainda continua a levantar. Você levita em pensamento. E torce para que esse Deus um dia lembre de você. Você é convicto, continua sonhando com o que já sabe que jamais irá acontecer.

CASTRO demorou sete meses para escrever essas sete linhas.

11 de abril de 2013

Não mais

E logo estará deitado, dormindo, de sapatos e com o paletó abotoado. E as pessoas que o acham chato jamais sua voz ouvirão. E o barbeiro que corta o seu cabelo, em quanto comenta o capítulo da novel do dia anterior, jamais ganhará dele se quer um tostão. Assim como o dentista que identificava suas cáries e a moça do outro lado do balcão. E não mais terá que acatar as ordens do patrão. Alguns sentiram sua falta, outros não. Ele não mais dará lucro a vendedores de cigarros, cerveja e camisinhas. Pois no estado em que se encontra, não consegue fumar, beber nem transar. Sua mãe, se estivesse viva, choraria, mas está feliz, pois o filho foi de encontro à criação.

CASTRO 11/04/2012

12 de março de 2013

Insônia

POESIA Por André de Castro



E quando descobre não ter mais forças 
e não mais ser capaz de suportar, 
ele cai

E subitamente levanta um dedo
a mão, a cabeça 
ressurge diante da eterna insônia

E descobre ser forte o suficiente pra continuar seguindo em frente
E descobre que os problemas do passado
e os que não o deixará dormir na noite de hoje
não são tão grandes quanto os que ainda virão.

E mesmo sabendo disso, 
se ergue e se assume diante do mundo 
E diz pra si mesmo:
- Podem até me derrubar,
mas eu levantarei quantas vezes for necessário
e a cada tombo estarei mais forte!

23 de fevereiro de 2013

Pirralho

POESIA Por André de Castro

fonte: http://brgag.com.br/em-casa-de-menino-de-rua/

Hoje, pela manhã
no trajeto ao trabalho
vi um garoto
um pirralho
dormia no chão
oito anos de idade
envolto por um papelão

sujo, sem cobertor
provavelmente até por Deus abandonado
as pessoas passavam
atenção nenhuma davam
pirralho ali permanecia
talvez sonhando
com o que a vida jamais lhe deu ou daria

naquela calçada
suja, molhada
próximo à Praça do Relógio
em Taguatinga sul
puta que pariu
pirralho, mais um filho do Brasil

ninguém faz nada
Eu nada fiz
Já é normal
pirralhos
seres do mal

CASTRO – 07/02/2013

1 de fevereiro de 2013

Maldita gaiola


Por André de Castro

Tudo 
que queria
era voar
livre das grades
da gaiola

então o garoto abre a porta
e o solta
pode ir
está livre

mas o pássaro agora é dependente
da maldita gaiola
está livre
mas precisa estar preso para viver

a liberdade é algo que se sonha
mas quando a tem
se deseja ser preso novamente

por tanto
não se liberte
se prenda
em algo

26 de novembro de 2012

A piedade

Por Roberto Piva (in memoriam) 

Compartilho com os leitores deste blog a poesia de Roberto Piva, simplesmente para provar que um poeta, mesmo estando morto, nunca morre,. Ele sobrevive por meio de sua obra.

"Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento abatido na extrema paliçada

os professores falavam da vontade de dominar e da luta pela vida

as senhoras católicas são piedosas

os comunistas são piedosos

os comerciantes são piedosos

só eu não sou piedoso

se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria aos sábados à noite

eu seria um bom filho meus colegas me chamariam cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio bóia? por que prego afunda?

eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as estátuas de fortes dentaduras

iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos pederastas ou barbudos

eu me universalizaria no senso comum e eles diriam que tenho todas as virtudes

eu não sou piedoso

eu nunca poderei ser piedoso

meus olhos retinem e tingem-se de verde

Os arranha-céus de carniça se decompõem nos pavimentos

os adolescentes nas escolas bufam como cadelas asfixiadas

arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através dos meus sonhos"